Nordeste resiste e Bolsonaro tem maioria nas capitais. Segundo turno promete virada no Ceará

O primeiro turno para a eleição presidencial no Brasil terminou com Jair Bolsonaro (PSL) na frente, levando 46,02% dos votos válidos, e Fernando Haddad (PT) em segundo com 29,28%. A polarização entre os dois candidatos que vão disputar o segundo turno em 28 de outubro próximo somou 75,31% dos votos válidos, enquanto os outros 11 candidatos ficaram com os 24,69% dos votos válidos restantes, considerando ainda 20,33% de abstenção, 6,14% de votos nulos e 2,65% de votos em branco. Destaque para o fato de Bolsonaro vencer em 17 estados e Haddad em 9 – oito do Nordeste e o Pará. O único estado onde nenhum dos dois primeiros colocados venceu foi o Ceará, reduto político do terceiro colocado, Ciro Gomes (PDT).Capitais em que cada presidenciável venceu no 1º turno da eleição de 2018 — Foto: Rodrigo Cunha/G1Contudo, nas capitais Bolsonaro venceu em 23 e Haddad em apenas 3: São Luiz, Teresina e Salvador. No Distrito Federal Bolsonaro ficou com 58,37% dos votos, contra 11,87% de Haddad. No Pará, apesar da maioria de votos no estado, perdeu na capital. Em Sobral, cidade de Ciro Gomes, Bolsonaro ficou em segundo lugar com 20,68% dos votos. Ciro foi o primeiro com 60,23%, e Haddad em terceiro com 16,08%. O quadro geral dos estados onde Bolsonaro perdeu é o seguinte:

Unid. Fed. Pará Alagoas Bahia Ceará Maranhão
Candidato Estado Capital Estado Capital Estado Capital Estado Capital Estado Capital
Haddad 41,39% 22,30% 44,75% 52,29% 60,28% 47,75% 33,12% 19,31% 61,26% 38,35%
Bolsonaro 36,19% 43,18% 34,40% 19,71% 23,41% 27,81% 21,74% 34,38% 24,28% 36,59%
Unid. Fed. Paraíba Pernambuco Piauí RG do Norte Sergipe
Candidato Estado Capital Estado Capital Estado Capital Estado Capital Estado Capital
Haddad 45,46% 24,80% 48,87% 30,05% 64,40% 44,20% 41,19% 22,81% 50,09% 28,42%
Bolsonaro 31,30% 49,87% 30,57% 43,14% 18,76% 31,64% 30,21% 44,64% 27,21% 39,90%

Fonte: TSE. Elaboração: Assis Cabral


A triste realidade do interior nordestino

A América portuguesa manteve-se politicamente unida, ao contrário da América espanhola, que se fragmentou em vários pequenos Estados de língua e cultura comuns. Todavia, em face do tamanho geográfico, a América portuguesa se subdivide em vários Brasis. Um desses Brasis é a região Nordeste, que por sua vez traz realidades distintas em seu território, com desníveis de desenvolvimento socioeconômico e educacional entre suas sub-regiões.

Segundo maior colégio eleitoral do país, com o maior número de estados, nove, apesar de ser oficialmente divido em quatro sub-regiões: meio norte, zona da mata, agreste e sertão, costumo pensar em litoral e interior. É no litoral onde está a maioria das capitais – a exceção é Teresina – com os melhores índice de IDH – Índice de desenvolvimento humano. Conforme se caminha para o interior da região é que começamos a encontrar as desigualdades sociais e, infelizmente, a miséria. E é justamente nesse interior onde se encontra a grande maioria dos eleitores do PT, ou seja, onde há os maiores índices de pobreza, analfabetismo, escassez de oferta de emprego, mão-de-obra desqualificada e, consequentemente, dependência dos programas assistencialistas dos governos estaduais e Federal. Contando os oito anos do PSDB, são mais de 20 anos de hegemonia da esquerda. O PT elegeu os dois últimos presidentes da República, com dois mandatos casa um: ganhou as quatro últimas eleições para a Presidência e não resolveu, sequer equacionou, a problemática do interior nordestino. Assim como não apresentou sequer uma proposta de reforma agrária, que seria uma das soluções de auto sustentabilidade daquelas populações: a pequena agricultura familiar. Resultado: foi nesse nicho de pobreza que prorrogou sua agonia para o segundo turno das eleições, sob a ameaça terrorista de que o candidato adversário acabaria com o  Bolsa Família.

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