Funk é Cultura? Uma Voz Nordestina em Defesa dos Verdadeiros Valores

Do microfone ao cordel: um contraste de visões culturais.

Edson Paiva

Professor de Educação Física, Personal Trainer e nordestino

 

Sou nordestino. Carrego comigo a força de uma terra que ensinou a resistir com dignidade, a lutar com poesia e a celebrar com fé. E é justamente por valorizar essa herança que me sinto no dever de questionar: tudo que se expressa é cultura? Ou será que estamos confundindo barulho com legado?

Nos últimos anos, o funk tem sido exaltado como manifestação cultural. Mas o que se vê, em muitos casos, é uma distorção perigosa: letras que glorificam o crime, incentivam o sexo precoce, ostentam riqueza sem mérito e zombam da educação. Isso não é resistência — é exploração da ignorância.

Cultura que forma, não que deforma

Cultura é o que educa, preserva e transforma. É o cordel que ensina história, o forró que une gerações, o boi bumbá que celebra raízes. É o saber popular que sobrevive à seca, à fome e ao abandono. O Nordeste construiu isso com suor e alma — sem vitimismo, sem exigir que o mundo lhe devesse algo.

O funk, em sua face mais nociva, não cumpre esse papel. Ao contrário: se aproveita da vulnerabilidade de jovens com baixa escolaridade, fragilizados pela ausência de estrutura familiar, e os seduz com narrativas que prometem poder, prazer e status — sem esforço, sem ética, sem verdade.

O problema não é o funk existir — é o que se faz com ele

Há quem diga que o funk fala de amor, de dor, de realidade. Mas falar não é suficiente. O que importa é como se fala, com que propósito, e com que valores. Quando governantes e instituições celebram esse tipo de conteúdo enquanto negligenciam a educação, a arte clássica e a história regional, não estão democratizando a cultura — estão nivelando por baixo.

Minorias e responsabilidade

Reconhecer desigualdades é necessário. Mas transformar isso em plataforma de exigência sem construção é perigoso. A verdadeira inclusão se dá pelo mérito, pelo esforço e pela valorização da origem — não pela negação dela.

Conclusão

Funk, quando usado como instrumento de manipulação e glamourização do crime, não é cultura. É ruído social. E precisamos ter coragem de dizer isso.

A cultura que vale a pena defender é aquela que honra a história, educa pelo exemplo e constrói pontes — não muros. Que possamos resgatar o valor da cultura como instrumento de formação, e não de deformação.

Jair Messias Bolsonaro: a insanidade personalizada

O texto que reproduzo ao final é da autoria do nosso convidado de hoje, o Doutor (com doutorado mesmo!) em robótica Flávio José Soares Aguiar, o qual já nos brindou anteriormente com um texto sobre Nicolau Maquiavel. A crônica foi escrita no intervalo entre a divulgação oficial da eleição de Jair Messias Bolsonaro e a sua posse na Presidência.

A existência deste escrito nos foi revelada numa conversa do grupo de WhatsApp que formamos entre amigos de infância/adolescência: Turma 63/65, pois todos os membros nasceram em 1963 e 1965. Somos, portanto, todos cinquentões. Bem, o Flávio compartilhou o texto no grupo quando eu reclamei que as atitudes do Presidente, sobretudo em relação à pandemia do Corona vírus, associadas à anulação dos processos do ex-presidente Lula – que, ao menos por enquanto, torna-se elegível -, estão viabilizando a volta da esquerda. Eu revelava a minha preocupação com isso, conforme a transcrição de alguns trechos das minhas exposições na conversa, a seguir:

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Paulo Thadeu Neves lança livro Recortes: Crônicas e Reflexões

Recortes: Crônicas e Reflexões, tem como capa o desenho Releitura, de Vinícius Luge – pintado em aquarela -, e charges do artista plástico Renato José.

O jornalista, radialista, professor de Filosofia e ativista político Paulo Thadeu Neves lançará o livro Recortes: Crônicas e Reflexões, com previsão para o próximo dia 25 de julho. É uma coletânea de 31 artigos selecionados, publicados ao longo dos anos, a maioria na revista Somos, da Federação do Comércio do Estado de Roraima, no jornal Monte Roraima, e nas redes sociais.

O autor explica que os três primeiros artigos versam sobre sua militância no movimento estudantil roraimense, que começou ainda no governo Getúlio Cruz (1985-1987).

Apesar da declaração, Paulo Thadeu nos brinda, ao final desta matéria, com o primeiro artigo do livro, que narra a “reorganização”, nas suas palavras, do Centro Cívico Escolar – CCE, da Escola General Penha Brasil, quando cursava a antiga 5ª série do 1° Grau, ano de 1984 – governo do General Arídio. E de quebra nos dá um retrospecto da história recente de Roraima, lembrando todos os governadores militares do antigo Território Federal. 

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Sala de Visita – Assis Cabral

Assis Cabral: “Acredito que a inteligência sobrevive ao corpo biológico. Mas posso estar enganado”.

O nosso convidado de hoje não é bem um convidado. É o “dono” do blog: Assis Cabral. Portanto, vamos pular a parte das apresentações, pois há um perfil disponível na página Sobre o Autor.

A ideia deste post foi minha, o Assis entrevistador. Desde que nos entendemos por gente conversamos como se fossemos duas criaturas distintas. Há contradições, discussões, com uma certa autonomia de pensamento. Mas há também muita confidência e cumplicidade entre nós. Acho que conheço o Assis entrevistado melhor do que ele a si mesmo,  e sei que há muita coisa que tem receio de divulgar, sente dificuldade de expressar, seja por medo do ridículo, seja por falta de convicção, pois as ideias ainda estão em formação. Sem contar que se trata e uma pessoa extremamente tímida, embora não pareça.

Ah, o insight para esta entrevista me surgiu quando o vi ouvindo um audiobook  do Nietzsche. Aí já viu, né?

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Sala de Visita – Flávio José Soares Aguiar

Este é um espaço oferecido a convidados. São artigos, crônicas, entrevistas, poemas… Enfim, uma conversa a três: o leitor, a visita e o autor do blog. O leitor poderá participar enviando comentários.

O nosso primeiro visitante é o meu amigo de várias décadas Flávio José Soares Aguiar. O seu currículo é tão extenso que vamos resumir: professor, engenheiro, mestre e doutor em robótica. Aficionado em caiaque.

A conversa que o Flávio nos traz é uma introspecção sobre trechos do livro O Príncipe, de Nicolau Maquiavel[1] (1469-1527), e a política contemporânea praticada no Brasil. É a sua visão particular sobre o tema.

MAQUIAVEL

Por Flávio José Soares Aguiar

O Príncipe foi publicado postumamente em 1532

 

Em seu livro “O Príncipe” Maquiavel discute as ações que os poderosos devem tomar para se manter no poder. Tornou-se famoso por conta dos conselhos, digamos… pouco éticos. Coisas como “se tiver adversários que possam se tornar poderosos, elimine-os”. Nestes tempos de eleições cabe refletir sobre este tema sempre tão recorrente.

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