Aonde queremos chegar?

Como já publicado neste Blog, o Brasil jamais foi um país pacífico. Nossa história é lavada a sangue de Norte a Sul. Ledo engano de quem imagina que estamos em período de paz. Estamos em pleno estado beligerante e não é de hoje! E o pior: estamos em estado de guerra civil não somente em armas e subtração da vida humana, mas com suporte ideológico de movimentos que insistem na desestabilização das instituições, da República, para assumir o comando pleno da nação. O ideal de uma “ditadura do proletariado” está vivo e visivelmente toma os meios de comunicação formais e informais – redes sociais, sobretudo, elaborado e gerenciado por mentes que sabem muito bem o que estão fazendo e aonde querem chegar, mas infortunadamente veiculado por pessoas que, na grande maioria, não exercitam a capacidade de discernimento, seja por falta de instrução formal, seja por ingenuidade, dentre outros fatores inibidores do senso crítico.

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A inexorável efemeridade da vida – umas histórias da Boa Vista antiga

Gosto muito de imagens antigas, estáticas e em movimento. Gosto de músicas antigas. Às vezes sou tomado por nostalgias – isto mesmo: nostalgia no plural. Parece que vivi em várias épocas, em muitas épocas. Todas as épocas. E todas essas épocas às vezes parecem transpassar minha mente, num fluxo e refluxo.

Nasci em 1965 na cidade de Boa Vista, antigo Território Federal de Roraima, e muito, muito pobre. Vivíamos quase na idade média, naquele tempo. Sou da lamparina, do farol, da água tirada do Rio Branco, das lavagens de roupa no cais, no igarapé do Caxangá ou no igarapé do Pricumã. Eram os locais onde a minha avó lavava roupa, ela própria lavadeira profissional por um bom tempo, além de costureira. Criava galinha do quintal. Pato, porco, eventualmente cabrito. Fogão a lenha. Tinha o fogão grande, com chapa de ferro – onde a gente colocava a bunda da tanajura pra assar. E tinha o fogareiro, onde usava-se graveto e querosene para fazer o fogo do carvão pegar. Água dos potes – a minha avó tinha dois e uma bilha. Dos potes, ela achava que o de barro escuro era o que mais gelava. A água era retirado pelo púcaro, sempre bem ariado com areia – desculpem o pleonasmo – ou folha de caimbé.

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Militância burra e mau caráter – o caso da interceptação

Nos últimos meses autoridades governamentais, em especial o ministro da Justiça, Sérgio Moro, têm sido vítimas do site The Intercept, comandado pelo intitulado jornalista estadunidense Glenn Greenwald, que é um notório militante da “esquerda”. Não precisa recontar a história porque todo mundo já conhece. Mas em síntese, houve estardalhaço inicial, com o anúncio de matérias revelando, a conta-gotas, a imparcialidade do então Juiz Moro na condução dos processos da Operação Lava Jato. Enfim, foram sendo soltos, aos poucos, trechos de supostas conversas entre os membros do Ministério Público Federal, alguns apenas citando o então juiz, e umas poucas conversas, supostamente, do próprio então magistrado com os membros do MPF, especialmente com o chefe da equipe da Lava Jato, Procurador Deltan Dallagnol.

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Inflexão da Vida

A vida pode ser um portal pra liberdade
Ou uma jaula onde se reclui a alma
Num corpo horrendo, pesado, moldado
Pelos medos do inconsciente

O espírito, que era livre e independente,
Com o tempo torna ser acomodado
Nas convenções da velhice que acalma
Os desejos e anseios da tenra idade

Mas ainda, sob os elos da corrente
Que faz mórbida a mocidade,
Há a centelha do desbravador ousado

Aspirando voar sobre a cidade,
Sobre os campos e florestas, contente,
Sem medos, num unicórnio alado

Anaïs Nin

Tomei conhecimento da existência de Anaïs Nin (1903-1977) há muitos anos atrás, na década de 1990, quando, num dia qualquer, aluguei um filme cujo título era Henry e June. Gosto disso: ao acaso, encontrar filmes maduros que retratam a natureza humana. Filmes que me marcam pelo resto da vida – da vida consciente, ao menos. Invariavelmente são películas derivadas da literatura. Gostei tanto do filme que resolvi ler o livro.

Henry e June é a versão cinematográfica de um período (1931-1932) do diário pessoal de Anaïs, quando conheceu e começou seu relacionamento extra-conjugal com o também escritor Henry Miller. June era a esposa dele na época, quando viveram um triângulo (ou quadrado) amoroso.

Além de Henry e June, li outros livros de Anaïs e, por causa dela, cheguei a Henry Miller (1891-1980). Os dois têm estilos semelhantes, cujas obras são autobiográficas. Sem dúvida formaram um casal. Apesar de amantes por uma vida, nunca se juntaram. Ela, após a morte do marido Hugo, casou-se novamente. Além de Henry, e durante Henry , teve vários outros amantes – ao que pude entender, com a conivência do marido, que também fazia das suas. No filme, é interpretada pela atriz portuguesa Maria de Medeiros – que guarda impressionante semelhança física.

O que me chama a atenção em ambos – Anaïs e Henry – é a determinação em escrever. Ela era de família abastada, casou com um homem bem sucedido na carreira profissional, nunca passou necessidades. Henry sim, durante algum tempo. Mas para ambos, tato fazia. A literatura, a vontade de escrever estava acima de tudo.

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Maiakóvski, o poeta da revolução

Não, não vou falar da poesia de Maiakóvski,
nem da sua biografia, muita menos da sua prematura morte.
Não vou dizer que ele apertou o gatilho,
ou algum camarada por ele o fez, por sua vontade,
contra sua vontade, tanto faz.
O fato é que a bala estourou seus miolos
num gesto de misericórdia, sublime desatar da alma.
A revolução mata seus próprios filhos.

Pela defesa da liberdade sexual!

Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893) foi um compositor russo autor de primorosas obras musicais: sinfonias, óperas e os balés: O Lago dos Cisnes, O Quebra Nozes e A Bela Adormecida. Sua homossexualidade, assim como a causa da sua morte, são controvertidos. Oficialmente teria morrido em decorrência do cólera. Mas há quem afirme ter sido assassinado. A versão mais recente é que teria passado por um “tribunal de honra” formado por seus antigos colegas da Escola de Direito de São Petersburgo e, ao final, teriam induzido-o a tomar arsênico. Fora a morte por cólera, todas as outras versões envolvem sua sexualidade.

Costumo pensar que não há uma orientação sexual, ou opção sexual.  O que há é a natureza sexual de cada um. Essa natureza deve ser de livre manifestação. Não conheço nenhum homossexual que tenha optado por ser homossexual. Lembro até de uma conversa com uma amiga psicóloga, em que falávamos de Tchaikovsky, da sua música, e então lembrei que ele era homossexual, mas seus irmãos o obrigaram a se casar com uma mulher. Ele ficou tão deprimido que se jogou no mar, numa morte prematura aos 53 anos [1], quando teria ainda muitos anos de magistral produção musical pela frente. “Perdeu a humanidade” – disse eu. “O casamento não era motivo pra suicídio” – completei.

A minha amiga olhou-me com aqueles olhos negros penetrantes – aliás, toda ela é negra e linda! – e me disse: “Te imagina então ser obrigado a casar com um homem e ter que dormir e acordar todo dia com aquela vara do lado”. Refleti por alguns segundos e fui obrigado a concordar: “É… é motivo pra suicídio!”.

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Tá na hora dessa gente bronzeada cair na real

Pensando aqui com meus botões: boa parte dos brasileiros ainda não se deu conta da realidade que estamos vivendo. Ainda creem que estamos na campanha eleitoral para a Presidência, com críticas inconsequentes ao governo eleito, como se Jair Bolsonaro candidato ainda fosse. E com verdadeira adoração ao “de sempre”, como se Lula, Dilma, a bandeira vermelha do PT, de uma hora pra outra, mudassem o rumo da História e tornassem a subir a rampa do Planalto. Ou ainda com o discurso “alternativo” tipo: Ciro Gomes & Cia. Aonde Ciro Gomes, Guilherme Boulos, Haddad, Alckmin e Aécio representam alternativa?

Me sinto parcialmente responsável pela situação a que o País chegou, com a acensão da “esquerda” personificada no Partido dos Trabalhadores, afinal, dediquei todos os meus votos, desde o primeiro, àquela estrela vermelha, na esperança do combate à corrupção, ao coronelismo, ao atraso socioeconômico, pela redução das desigualdades. Foi assim até à primeira eleição de Lula. O Mensalão foi o meu limite.

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Novela da Globo hostiliza o povo de Roraima. Estatísticas do IBGE projetam o caos para o Estado

Imigrantes venezuelanos têm ocupado logradouros, inclusive com invasões a imóveis públicos e privados. Na foto, acampados na Praça Simón Bolívar, em barracas doadas pela população e entidades assistenciais.

Recentemente uma cena de telenovela da Rede Globo de Televisão chamou a atenção dos roraimenses. Trata-se de breve diálogo entre um padre e outro personagem da telenovela, ao que entendemos, por nome Rogério. Eis a transcrição do diálogo:

Padre – “Os venezuelanos que estão tentando refúgio em Roraima estão sendo hostilizados pela população.”

Rogério – “É uma tristeza, né Padre? Eles vêm fugindo da fome e da violência e são recebidos aqui como inimigos.”

Padre – “Graças a Deus ainda existe gente boa no mundo, Rogério. Veja este padre de Pacaraima, Jesus Bobadilla. Ele abriu as portas da igreja para os venezuelanos.”

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MATEMÁTICA

Mas o encontro contigo
foi tão forte e revolucionário
que meu coração
praticamente parou
e minha mente nos levou
aos campos de girassóis da Ucrânia

E nossas almas,
em sonho
saborearam o chá dos deuses,
tendendo ao limite do mais infinito,
enquanto derivávamos-nos e integrávamos-nos
rumo à assíntota da função poligâmica.